Sucesso Desportivo

Sucesso desportivo-PD

Psicologia do Desporto

Fatores decisivos para o Sucesso desportivo

 

 

Sucesso desportivo

O sucesso desportivo é algo que todos enquanto desportistas ambicionamos, ou seja obtenção de bons resultados e consequente ALTO RENDIMENTO!

Sendo o treino, prática sistemática, elemento chave na procura do sucesso desportivo, importa salientar para além do trabalho de campo, onde podemos desenvolver, aperfeiçoar, e trabalhar habilidades motoras, assim como aspectos técnicos e tático é fundamental a integração do trabalho de preparação mental.

Brito (2002) refere que “ o cérebro é responsável por todos os nossos pensamentos, sentimentos e acções (porque ele comanda) e também é o “culpado” pelos nossos sofrimentos, ansiedades e angustias”.

Assim sendo, Brito (2002) define, Psicologia como sendo a ciência que estuda os fenómenos psíquicos (comportamentos e os processos mentais).

Já em relação a Desporto, Brito (2002) define, como sendo uma atividade física onde há competição e resultados, segundos regras e leis muito próprias dependendo da modalidade.

Logo é determinante definir a Psicologia do Desporto como uma área de conhecimento científico recente, no entanto desde dos século XIX e princípios do século XX já se assinalem algumas obras dedicadas á relação da psicologia com atividade desportiva. Brito (2009).

Hoje em dia dos fenómenos desportivos são consecutivamente alvos de diversas investigações científicas como de obter informações pertinentes, que possam melhorar o rendimento dos atletas em diferentes modalidades desportivas, assim sendo, muitos investigadores iniciaram estudos na área da Psicologia do desporto, e assim “nasceu” o conceito de Psicologia do Desporto, que segundo Brito (2002), se trata de um ramo da psicologia que trata dos fenómenos psicológicos específicos do desporto.

 

Caraterísticas psicológicas dos atletas

O sucesso não é que acontece por acaso, mas sim algo que deve ser estudado, compreendido e desenvolvido, desta forma vários investigadores tem aprofundado estudos abordando esta temática com intuito de perceber quais as caraterísticas comuns entre os vários desportistas de elite.

Por isso não é de estranhar que os investigadores se foquem na identificação das estratégias e padrões comportamentais e cognitivos que utilizam antes e durante as situações competitivas assim como a analise das características psicológicas dos atletas de alto nível.

Valey (1992), cita “ de uma perspetiva intuitiva parece lógico que certos atributos da personalidade (Ex. competitividade e autoconfiança) são importantes para o sucesso desportivo.

Brito (2009) destaca que “entre dois atletas que valem 10 segundos aos 100 metros ganha aquele te tiver melhores qualidades psicológicas”.

Segundo Magnunsson et Endler (1997) no que respeita á situação o que é mais determinante é o seu significado psicológico , no que se refere á pessoas os fatores cognitivos são os mais determinantes em termos de comportamento, ainda que os fatores emocionais não possam ser desprezados.

Morgan (1980) mais importante do que o estudo dos traços da personalidade, talvez seja avaliação dos processos cognitivos envolvidos no rendimento dos atletas.

Um estudo efetuado por Morgan (1972) permitiu identificar um perfil psicológico deste tipo de atletas. Surgiu assim o conceito de “Perfil Iceberg dos atletas de elite” .

Segundo Morgan, os atletas de elite, quando comparados com a média da população, apresentam resultados significativamente mais elevados no que diz respeito à variável “vigor psicológico”, e resultados inferiores à media da população em variáveis consideradas negativas, tais como tensão, depressão, raiva, fadiga e confusão,

Uma das principais conclusões deste estudo foi a de que um “saúde mental” positiva é um dos factores determinantes na caracterização dos atletas bem sucedidos.

Vealey (1992) reforça “ o sucesso no desporto parece ser facilitado por uma saúde mental positiva, por auto-percepções positivas e por um conjunto de várias competências psicológicas de natureza cognitiva e comportamental.

Kobasa (1979 e 1982) introduziu a noção de resistência mental, que sugeriu tratar-se de uma caraterística da personalidade que explica diferentes estados de humor dos indivíduos sujeitos ou sob stress.

Ou seja é uma caraterística na personalidade que permite aos indivíduos lidarem melhor com as situações de stress através de dois processos: os mais resistentes “transformam” as situações e acontecimentos alterando as avaliações cognitivas que fazem, além disso possuem maior capacidade e competências para utilizarem mecanismos eficazes e adaptativos em diferentes situações.

Segundo Goss (1994) este estudo permitiu evidenciar que atletas mais resistentes mentalmente, compactado com os menos resistentes , sentiriam menos pressão, depressão, irritação, fadiga e confusão e níveis mais elevados de vigor psíquico, ao longo da época e enquanto sujeitos a sobre treino, além disso os atletas que apresentavam níveis superiores de resistência estavam associados a níveis elevados de comportamentos adaptativos.

Parece óbvio e que aquele atletas que tenham maior controlo emocional, maior capacidade de resistir ao stress competitivo, assim como aqueles que tenham uma saúde mental mais positiva estejam mais próximos de obterem êxitos desportivos.

Assim sendo aqueles atletas que antes e durante a competição consigam preparar-se como forma de controlar a ansiedade, obter maior capacidade de concentração, preparação mental, motivação e autoconfiança.

Importante saber e perceber como os atletas se preparam mentalmente para a competição, quais os seus níveis de ansiedade, como é que reagem e lidam com o stress associado á competição, saber quais a características psicológicas que diferem nos atletas bem sucedidos dos restantes.

Segundo Brito (2009) stress, ansiedade, angustia são expressões muito usadas a propósito dos sentimentos ou estados de espírito dos atletas antes das competições, em particular das mais difíceis. Há quem resuma estes sentimentos por “medo da competição” ou “ medo do resultado”.

Contudo Brito (2009) refuta, alguns atletas apresentam-se nas competições confiantes , com a certeza de um bom resultado, de que vão ganhar, têm força, tem confiança.

Brito (2009) finaliza, há uma enorme vantagem em que os atletas identifiquem tudo o que sentem, sem receio de que isso “pareça mal” e que, se acharem que são prejudicados nos resultados, no equilíbrio e bem-estar devem recorrer a um psicológico.

 

 

Papel do treinador

O líder deve desenvolver e atribuir objetivos individuais e coletivos mensuráveis.

Segundo Araújo (2002) prévia definição de tarefas individuais e coletivas e consequente aplicação coerente de regras de vida coletiva, tal como um ambiente de trabalho onde impere a confiança e o respeito mútuos, onde cada membro da equipa saiba do seu papel da dinâmica coletiva do grupo, gostando cada vez mais da tarefa que lhe está atribuída e recebendo por isso o que considera merecido. Aprender com as derrotas e ultrapassar as dificuldades sentidas em momentos de insucesso, assim como saber responsabilizar.

Contudo muitas vezes também se torna necessário gerir o sucesso e segundo Araújo (2002) gerir o sucesso é bem mais complexo do que o insucesso. Perante as derrotas, basta não perder de vista os obejtivos que pretendemos alcançar e persistir na respetiva procurar através da metodologia até ai prosseguida ( perder, pode não significar “mudar tudo”, mais insistir naquilo em que se acredita, tendo como objetivo evoluir).

Contudo Araújo (2002) cita que ” na vitória, são poucos os que resistem à tentação de deixarem emergir as suas naturais necessidades de afirmação individual e tenderem a querer para si a maior parte possível”.

Objetivo de qualquer desportista é vencer, no entanto é importante perceber os fatores que levam a esse fim.

Depois de grandes vitórias, quem lidera deve saber levar toda a organização a refletir sobre as razões para que tal acontecesse. (Araújo, 2002).

Segundo Araújo (2002) é óbvio que as vitórias ajudam uma equipa a evoluir. Ganhar é afinal o objetivo que todos perseguem. No entanto, dificilmente se formarão em termos de coesão interna equipas/atletas cujos resultados sejam sistematicamente positivos.

 

Perfil psicológico do atleta de elite

Atletas de elite devem ter caraterísticas psicológicas comuns aliadas ao talento motor.

Estudos em contexto desportivo permitem identificar um conjunto de caraterísticas que parecem estar associadas a resultados desportivos de excelência (Cruz, 1996):

  • Altos níveis de motivação e comprometimento com a modalidade e com o desporto;
  • Valorização e interesse principal com o rendimento individual;
  • Níveis elevados de auto confiança;
  • Grande capacidade de concentração;
  • Utilização frequente de imaginação e visualização mental;
  • Facilidade em controlar a ansiedade e nos níveis de ativação;
  • Desenvolvimento e utilização de rotinas e planos competitivos;
  • Capacidade para lidar com as distrações.

Serpa et al (2003) chamam atenção para um elemento perturbador em toda esta dinâmica. Segundo eles, a pratica desportiva e nomeadamente a pratica ao mais alto nível sendo extremamente exigente, encontra-se exposta a um conjunto de adversidades como lesões, falta de confiança, sofrimento, saturação e pressão de elementos que rodeiam o ambiente competitivo. Nesse sentido torna-se fundamental que os atletas se encontrem altamente comprometidos com a modalidade e possam ser apoiados pelos agentes desportivos. Isso facilita o desenvolvimento da “resistência mental” nos atletas.

A resistência mental é um conceito que tem vindo a ser explorado no contexto desportivo (Matos, 2011).

 

Pode ser definida como uma carateristica que permite:

  • Lidar melhor com os adversários e com as necessidades desportivas;
  • Ser mais consistente e melhor do que os adversários na tarefa de manter-se focado e no controlo da situação.

Estas caraterísticas psicológicos acima referenciadas, tais como: autoconfiança, vontade, motivação, saber lidar com pressão, ansiedade, a focalização e o uso de estratégias eficazes como forma de ultrapassar e lidar com a dor e o sofrimento.

 

O fator psicológico das lesões desportivas

As lesões desportivas são sem duvida dos momentos mais difíceis, não poder competir numa grande competição por lesão é sem duvida um momento de enorme frustração, no caso de atletas muito bem cotados, que depois de um lesão grave, não conseguem voltar ao nível exibicional que tinham anteriormente.

Segundo Brito (2009) são os momentos mais difíceis da vida de uma atleta.

Por vezes, uma lesão, ou uma pequena doença, vem interromper a carreira de um atleta ou, até, criar uma profunda desilusão quando ele se preparava para entrar em alguma competição muito importante.

Caso ocorram num importante momento da prova, competição, pode ser mais traumático, em muitos casos quando muito próximos de competições nacionais, mundiais ou olímpicas, pode até acabar com uma carreira.

As lesões devem ser tratadas tanto a nível físico, assim como a nível psicológico.

Sempre que há uma lesão e após avaliação da sua gravidade, é necessário começar a tratar da sua recuperação que deve ser preparada com muito cuidado, pois além de física, o atleta também se encontra psicologicamente debilitado, o que acontece muitas vezes é que o trauma mental é bem mais preocupante. (Brito, 2009).

 

Atleta/Futebolista não profissional

Já percebemos que atletas de elevado nível para além de todo o trabalho, físico, técnico e tático que desenvolvem, também trabalham com bastante afinco a parte mental da competição, pois aquele nível muita das vezes a diferença entre a vitória da derrota, e o desportista de eleição e o bom desportista.

Posto isto parece-me também importante perceber o que acontece em atletas não profissionais, quais as suas motivações, quais as que causas atribuiem aos diferentes resultados, e que tipo de analise fazem na atribuição do sucesso ou insucesso, assim sendo, considerei bastante interessante o estudo realizador por Cabrita et al (2007) que tem como objetivo de estudo, análise das atribuições causais do Sucesso ou Insucesso na competição, em função do nível competitivo dos futebolistas portugueses, para este estudo a amostra integrou 125 futebolistas, que competiam na II Divisão, III Divisão e I Divisão Distrital do futebol português, o mesmo apresenta resultados quanto aos mecanismos de percepção de causalidade revelados pelos atletas nos diferentes níveis competitivos.

Assim, sendo e apesar das investigações serem escassas tanto a nível nacional como internacional, para além de todas as condicionantes do estudo é importante expor um dado particularmente interessante é que atletas independentemente da divisão em que competem, mencionam causas internas estáveis e passíveis de controlo pessoal na explicação dos seus sucessos quando comparados com os insucessos.

Na caraterização do jogo e na avaliação do resultado obtido, não parece haver qualquer influência nos diferentes níveis competitivos, ainda em relação ao resultados obtidos os atletas referenciam que recordam de forma mais nítida, aquelas partidas que envolveu maior grau de dificuldade e onde haveria maior probabilidade de ocorrência, o jogo em que obtiveram o seu melhor resultado , desvalorizando assim a competição em que não obtiveram sucesso.

Dados estes que parecem reforçar a existência de uma tendência, mais ou menos clara, para os atletas assumirem maior responsabilidade do sucesso em detrimento da situação de insucesso.

Deste modo, e segundo Cabrita et al (2007) será legítimo, pensar-se que atletas que competem em níveis superiores de rendimento utilizam “self-serving baias” (Biddle, 1993) ou egoísmo atribuicional, como fonte influenciadora da explicação causal dos resultados desportivos.

Cabrita et al (2007) refere a tendência que as pessoas manifestam, de forma geral, para se responsalizarem apenas pelos bons resultados , determinado que as causas que levaram ao sucesso mais internas do que as que foram responsáveis por eventuais insucessos.

Permitindo isso que os atletas efetuassem distorções atribuicionais com o objetivo de se protegerem a manterem constantes os seus níveis de auto-estima, accionam esse mecanismo de regulador do próprio equilíbrio.

Cabrita et al (2007) reforça de existir uma relação entre os níveis competitivos e o modo como é interptada a causalidade subjacente aos resultados.

Contudo o autor refere que, mais estudos serão necessários no sentido de determinar, com maior eficiência, os contornos da relação entre atribuições causais e diferentes níveis de competição.

Por fim Cabrita et al (2007) finaliza, atribuindo o aumento da eficácia na intervenção psicológica em contexto desportivo passa, necessariamente pelo avanço na investigação dos fatores envolvidos no desempenho dos atletas

 

O fator psicológico do fim de carreira

O abandono de carreira desportiva imagino como sendo um momento igualmente doloroso, pois privamo-nos de fazer aquilo a que nos dedicamos durante uma vida.

Segundo Brito (2009) enquanto noutras profissões o “abandono” ou “reforma” chega normalmente entre os 60 e os 70 anos” no desporto pode ser bastante mais precoce e isto surgir entre os 20 e os 30 anos. O que do ponto de vista físico e psicológico, reflecte as exigências do desporto.

Muitas vezes os atletas ainda se encontram em excelente forma física, mas toda a “sociedade desportiva”, com os meios de comunicação á cabeça o consideram á beira do abandono.

Esse abandono é muitas vezes difícil: o atleta tem um “nome”, uma “popularidade”, um determinado prestígio e muitas vezes um “rendimento económico” de que dependem da sua atividade e dos seus resultados. Quando abandonam a competição tudo isto pode desaparecer rapidamente: e os atletas não estão preparados para se reciclarem ou prosseguirem a sua vida equilibradamente.

Contudo Brito (2009) reforça a ideia de que a reforma ou abandono dever preparados a longa distância, pois o atleta precisa de apoios e conselhos como forma de preparar o seu futuro. Da mesma forma preparar os jovens e forma a que percebam que nem todos os atletas ganham fortunas para a toda a vida, por isso é importante que sejam motivados a estudarem como forma de obter diplomas ou competências noutras profissões. Muitas das vezes os atletas são aliciados, desde muito jovens, a não fazerem mais nada nada além do desporto, e se for uma actividade exclusiva, pode prejudicar os seus estudos e consequentemente a sua vida futura.

Pais, treinadores, dirigentes e psicólogos devem estar atentos a estas problemas e intervir positivamente. (Araújo, 2009)

 

Conclusão

A componente mental dos atletas são determinantes uma vez que se trata de uma componente que influencia direta e indirectamente a prestação desportiva, atletas de elite parecem ter maior controlo emocional, maior capacidade de aguentar a pressão competitiva, maior concentração, maior capacidade de se manterem focados na obtenção de resultados positivos, isso deve-se ao facto desses atletas serem mais mais estimulados para o desenvolvimento cognitivo e mental.

Em competição esse tipo atletas quando não atingem os sucessos desportivos que ambicionavam, assumem como causa factores intrínsecos ou seja são autocritico.

Assim como tem maior capacidades de resistir a esses momentos, tem maior maior controlo emocional, maior resistência mental, maior capacidade de controlar stress competitivo, assim como uma saúde mental mais positiva.

Todos os agentes desportivos devem informar-se melhor acerca desta componente, como forma a maximizar o rendimento dos atletas com obejtivo de um rendimento de excelência.

Por fim é essencial estudar, aprofundar e desenvolver mais estudos nacionais e internacionais, de forma a conhecer melhor está importante componente nos atletas, como vimos acima e consoante o nível competitivo dos atletas, e comportamentos são dispares, tanto a nível psicológico como cognitivo.

Concluindo, é essencial que os agentes desportivos se foquem também na componente mental, que muitas das vezes é a “pequena” diferença entre o Sucesso ou Insucesso.

 

Referências bibliográficas:

 

 

Andrade, R. (s.d) Importância dos factores psicológicos no rendimento desportivo. Lisboa. União velocipédica Portuguesa – Federação Portuguesa de Ciclismo.

 

Araújo, J. (2002) Liderança – Reflexões sobre uma experiência profissional. Porto. Vida Económica.

 

Brito, A. (2009) Psicologia do desporto para atletas. 2°edição. Alfragide. Texto Editores.

 

Cruz, J.S. (1996) Manuais da Psicologia: Carateristicas, competências e processos psicológicos associados ao sucesso e ao alto rendimento desportivo. SHO (Sistemas Humanos Organizacionais, Lda.). Braga.

 

Goss, J. (1994). Hardiness and mood disturbances in swimmers while overtraining. Journal of Sport e Exercise Psychology, 16, 135-149.

 

Kobasa, S.C. (1979). Stressful life events, personality and health: An inquirity into hardinesss. Journal of Personality and social Psychology 37, 1-11.

 

Magnusson, e Endler, N. (1997) Personality at the cross-roads: Current issues in internacional psycology. Hilsdale, N.J.: Erlbaum.

 

Matos, D. (2011). A excelência do desporto: Estudo da arquitectura psicológica de atletas de elite portugueses. Tese de doutoramento, Universidade do Minho.

 

Vealey, R.S. (1992) Personality and sport: A comprehensive view, in T. Horn (ED.), Advances in sports psychology Champaign, IL: Human Kinetics.

 

Serpa, S; Fonseca, C; Rosado, A., Robustez mental: Uma prespetiva integradora, Revista de psicologia del deporto, 2013, n°2, pp. 495-500.